
O texto de 2Co do capitulo 10 ao 13 - É revelador! Mostra-nos um Paulo que raramente abre seu íntimo. Aqui, ele libera suas emoções, revelando a formação que teve, mas que habitualmente oculta. Em 2 Co 12.7-10, Paulo termina sua defesa, revelando que lhe foi posto um “espinho na carne”.
Desde o período Patrístico até hoje, o “espinho na carne” intrigou os comentaristas. Mas, com um bom olhar, com bom senso, ao que Paulo realmente fez em sua vida toda, podemos excluir:
Qualquer doença física ou psiquiátrica. Ninguém, com tal impedimento físico, poderia caminhar milhares de quilômetros por todos os tipos de terreno e condições climáticas. Ele realmente tinha saúde robusta e forte constituição física.
Demonstrava impressionante resistência mental e autocontrole. Uma boa hipótese, a ser levada a sério é que por “espinho na carne”, pode-se entender que Paulo queria dizer a oposição ao seu ministério dentro do próprio movimento de Jesus. Outra opinião é a sua menção a um “mensageiro de satanás” pode ser uma fonte externa de aflições, pessoas que ele antes tivesse identificado como “servos de Satanás” (2 Co 1.14-15), ou seja, seus inimigos em Corinto. No antigo testamento, “espinhos” são metáfora para dizer os inimigos de Israel, tanto os de dentro (Nm 33) como os de fora (Ez 28,24). Em cada comunidade à qual Paulo pertencera, ou que ele que tinha fundado, havia quem lhe desse dor de cabeça: Os judaizantes em Antioquia (At 11.19-30); Os acomodados de Tessalônica;
Evódia e Sintique em Filipos ( Fp 4.2); Prudentes exagerados da Galácia; Ressentidos de Éfeso; Os ascéticos de Colossos - Cl 2.16; A “Gente do Espírito” de Corinto. Para o apóstolo, esses seriam alguns obstáculos que Satanás opõe à pregação (1 Ts 2,18). Sabemos que nenhuma de suas Igrejas estava à altura de suas expectativas. Não podia orgulhar-se de nenhuma delas, apesar das coisas boas que encontrava. Eram constante motivo de sofrimento, e sofrimento sem valor redentor. As causas de divisões nas comunidades, iam contra o plano de Deus, a quem a Igreja devia mostrar sua unidade, como um corpo vivo. Por isso, Paulo pedia, com toda razão, o fim desses sofrimentos, deste “espinho na carne”.
O espinho lhe mostra que ele não tinha qualidade alguma que o mundo considerava essencial pré-requisito para o sucesso de sua missão. Mesmo assim, Paulo foi instrumento da Graça Divina que se revela no poder de Cristo (2 Co 12,9b); Cristo, cuja “vida” manifesta (2 Co 4.10-11) e, assim, transforma o mundo.
Rev. Sérgio Ovídio